O abandono filial de Fulton Sheen à Virgem Maria

24 de fevereiro de 2021

Trechos da obra autobiográfica “Tesouro em Barro”

“Quando eu fui batizado ainda bebê, minha mãe colocou-me no altar da Mãe Santíssima, na Igreja de Santa Maria, em El Paso, Illinois, e consagrou-me a ela.

Assim como um bebê não tem consciência de uma marca em seu corpo, assim também eu não estava consciente dessa consagração — mas a marca sempre esteve lá. Como um pequeno pedaço de aço aproximando-se de um ímã, eu fui atraído para ela antes de conhecê-la, mas nunca atraído a ela sem Cristo.

Quando fui ordenado, tomei uma resolução de oferecer o Santo Sacrifício da Eucaristia, todos os sábados, à Mãe Santíssima, renovando meu fraco amor por ela e invocando sua intercessão.

Tudo isso me dá a certeza de que, quando eu comparecer diante de Cristo para o Julgamento, Ele, em sua misericórdia, me dirá́: “Eu ouvi Minha mãe falar de você”.

“Durante a minha vida, já fiz cerca de trinta peregrinações ao santuário de Nossa Senhora de Lourdes. Uma das primeiras peregrinações a Lourdes foi quando era estudante universitário, em Louvain. Eu tinha o dinheiro exato para ir até Lourdes, mas não o suficiente para me manter lá, quando chegasse.

Perguntei a meu irmão, Tom, se ele tinha algum dinheiro, mas ele era um estudante universitário típico, também – sem dinheiro. Eu disse a ele: “Bem, se eu tiver fé o bastante para ir até Lourdes para celebrar o quinto aniversário de minha ordenação, compete à Mãe Santíssima dar um jeito no meu problema.

Cheguei a Lourdes “quebrado”. Fui a um dos bons hotéis – embora em Lourdes nenhum hotel poderia ser considerado de classe de luxo. Decidi que, se a Mãe Santíssima ia pagar minha conta do hotel, ela podia pagar tanto uma conta grande quanto uma pequena.

Fiz uma novena – nove dias de oração; na manhã do nono dia, nada tinha acontecido; à tarde, nada aconteceu; uma noite, nada aconteceu. A coisa era séria.

Eu já tinha visões dos guardas, e eu tentando pagar minha conta lavando pratos.
Resolvi dar à Mãe Santíssima mais uma chance. Fui à gruta, mais ou menos às dez da noite. Um senhor americano corpulento bateu-me no ombro: ‘Você é um padre americano?’ ‘Sim.’ ‘Você fala francês?’ ‘Sim.’ ‘Poderia vir a Paris com minha esposa e filha amanhã, e ser intérprete de francês para nós?’

Ele me acompanhou de volta ao hotel e, então, fez-me, talvez, a pergunta mais interessante que eu já tinha ouvido em minha vida:

‘Você já pagou sua conta do hotel?’

Ele pagou a conta.”